Simultânea às cegas de Miguel Najdorf em São Paulo

São Paulo, 24 e 25 de janeiro de 1947


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Local: Galeria Prestes Maia
Direção: Américo Porto Alegre
Arbitragem: Erich Eliskases, Ludwig Engels e Paulo Roberto Duarte Fo

Herman Claudius e Marius Rombout

São Paulo, 25 de janeiro de 20071

Há 60 anos, São Paulo testemunhava um recorde mundial, que permanece até os nossos dias

25 de janeiro é uma data especial. Entre os nascidos nesta data, estão: o ex-presidente e ex-prefeito de São Paulo, Jânio Quadros (falecido em 1992), em 1917, o gênio da MPB, Tom Jobim (falecido em 1994)2, o maior craque da história do futebol português, Eusébio (que na verdade nasceu em Moçambique), grande responsável pela eliminação do Brasil de Pelé na Copa de 1966, e que hoje completa 65 anos (nasc. 1942), e o craque brasileiro, titular da seleção que conquistou o tricampeonato na Copa de 1970, Tostão3 - que hoje completa 60 anos (nasc. 1947). Também em 1947, faleceu o famoso gangster estadunidense Al Capone.

Mas, para os paulistanos, tudo isso tem sua importância reduzida. Isso porque, em 25 de janeiro de 1554, os jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, fundaram o colégio jesuíta que daria origem à vila São Paulo dos Campos de Piratininga, que mais tarde se tornaria a metrópole bandeirante4. A data recebe portanto muitas comemorações e muitas inaugurações. Em 1927, era fundado o Tênis Clube Paulista (que mais tarde seria um dos clubes fundadores da Federação Paulista de Xadrez). Em 1933, foi inaugurado o Mercado Municipal. Em 1936, um dos integrantes do trio de ferro (expressão que indica os três maiores clubes de futebol da cidade), o São Paulo Futebol Clube, realizava sua partida inaugural contra a Portuguesa Santista. Em 1970, o mesmo São Paulo realizava, contra o Porto, de Portugal, a primeira partida (chamada de 'inauguração total', pois o estádio já vinha sendo utilizado) após completar a construção do Estádio de futebol Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. Entre os eventos que acontecem nesta data, estão o São Paulo Fashion Week, um dos principais da moda mundial, e, desde 1969 (exceto 1987, quando não foi realizada), a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, que este ano teve como campeão o Cruzeiro (coincidentemente o time que tornou famoso o craque Tostão). Na final derrotou o São Paulo nos pênaltis.

No xadrez, é nessa data que a FPX realiza, desde 1995, a o Torneio Relâmpago 'Cidade de São Paulo', cuja edição deste ano, foi realizada, pela primeira vez, no Esporte Clube Pinheiros. Foi também nesta data, há exatos 60 anos (no mesmo dia em que nascia Tostão e em que morria Al Capone), que o GM argentino Miguel Najdorf, bateu o recorde mundial de simultâneas às cegas (que anteriormente pertencia ao GM belga, radicado nos Estados Unidos, George Koltanowski). Àquela época, a área metropolitana de São Paulo tinha pouco mais de um milhão de habitantes. Nada comparado aos atuais 20 milhões. A vida no centro de São Paulo hoje é complicada e o trânsito é caótico. A cidade perdeu muito de seu antigo charme.

Ainda assim, se você descer da Praça Patriarca (ao lado do Hotel Othon, onde se hospedaram os jogadores extrangeiros na 1ª edição da Copa Itaú - então chamada Itaú Mercosul - realizada em outubro de 1997) ao Vale do Anhagabaú - um acidente natural no Centro Velho (ainda um importante centro financeiro e comercial e sede de muitos edifícios governamentais - tanto a nível municipal quanto estadual) - por uma escada rolante, chegará à Galeria Prestes Maia, onde a atmosfera ainda reflete um pouco da antiga glória do 'Ciclo do Café'. Lá verá esculturas e encontrará algumas galerias de arte.

O jovem José Octavio Pinto Costa5 (visto numa das fotos - jogou no tabuleiro 9) tinha então 15 anos - dois dias depois faria seu 16º aniversário. Aos 66 anos (idade que tinha quando as matérias que deram origem a esta foram escritas1), ele ainda tinha lembranças vívidas do aspecto solene e suntuoso da Galeria na noite de 24 de janeiro de 1947 onde Miguel Najdorf (nascido Moishe Mieczslaw Najdorf, em 15/4/1910, em Varsóvia) estava por dar início a um feito que foi, de alguma forma, uma síntese da sua larga e brilhante carreira enxadrística. Ele estava prestes a enfrentar 45 tabuleiros ao mesmo tempo, sem ver!

Simultâneas às cegas não eram novidade para Najdorf. Ele jogara contra 40 tabuleiros na cidade de Rosário de Santa Fé, Argentina, em 1941, alcançando o desempenho de +36=1-3. Por causa da guerra, a comunicação era muito difícil, de forma que aquele feito (de Rosário) nunca foi reconhecido mundialmente. Até onde sabemos, as partidas da simultânea estão perdidas. Tampouco era novidade para a cidade de São Paulo, apesar de sua pouca tradição enxadrística. Aqui, em 1925, o GM checo Richard Réti jogou, nos salões do Automóvel Clube de São Paulo, contra 29 tabuleiros, batendo o então recorde mundial de Alekhine.

É muito difícil explicar a um leigo o significado deste esforço intelectual. Tomemos então como auxílio, as palavras do próprio Miguel Najdorf. Numa entrevista para A Gazeta de 11 de janeiro (1947), Najdorf afirma:

" 'Para quebrar meu próprio recorde mundial, com 42 tabuleiros (o número cresceria para 45 até a realização do evento), eu afirmo: - será muito difícil porque é um verdadeiro malabarismo da memória. Muito mais que um simples jogo de xadrez, como qualquer um pode facilmente perceber, esta façanha representa uma total e absoluta identificação com uma habilidade muito distinta, mais relacionada a uma abordagem artística. Após memorizar 42 partidas, que multiplicando por 32 peças em cada tabuleiro resulta num total de 1344 peças, terei que manter, com total segurança e sem hesitação, nada menos que 2688 casas em minha cabeça e reconstruir não menos que 1680 jogadas nos diferentes tabuleiros.' ... 'Como podem ver, meus amigos, é quase acima das capacidades humanas.' ... 'No entanto, é necessário enfatizar ainda que isso tudo (por si só já um grande feito, como qualquer médico pode atestar) ainda não basta! É muito mais sério e complicado, porque requer um, digamos, talento especial - talento esse que permite a um jogador como eu, uma total abstração de todos os outros tabuleiros ao lidar com cada um deles. Bem, este (e todos os outros), muda a cada novo lance. Portanto, além da abstração por mim já mencionada - uma abstração dentro de cada unidade, uma segunda abstração é necessária: aquela referente às jogadas por mim analizadas.'

'Isso soa como magia...'

'Soa como, mas não é. É algo inexplicável ainda que concreto e objetivo - algo que, em algum momento, me levou a esquecer todo o resto e a dedicar toda a minha vida, exclusivamente, à prática do xadrez, um jogo que me move, me acende, me preenche de paixão...' "



Em abril de 1997, meu (HCvR) amigo Oscar Panno e eu fomos convidados por Don Miguel a jantar em sua casa. Lá ele me convidou (e eu aceitei) a participar do Aberto Najdorf seguinte, realizado em maio daquele ano. Esse encontro amigável também era, supostamente, uma entrevista. Entrevistá-lo apresentou-se uma tarefa impossível. Após cada pergunta uma correnteza de reminiscências e dados enxadrísticos atuais afluía, e nenhuma resposta direta. Pior, a grande maioria das perguntas ficou inteiramente sem resposta. Uma demonstração cabal da 'lógica Najdorfiana'.

Ele demonstrou muita seriedade, no entanto, quando lhe perguntei sobre a motivação de sua exibição no Brasil.



Um pequeno interlúdio aos que não conhecem a história da vida de Najdorf. Em 1939, ele integrava a equipe polonesa na Olimpíada de Xadrez de Buenos Aires, quando a Segunda Guerra Mundial estorou. Como a maioria dos jogadores judeus, ele permaneceu na Argentina, mesmo após o fim da Guerra. A parte muito trágica desta história é que ele nunca viu sua esposa e filha novamente.

Najdorf me contou que a simultânea às cegas em São Paulo era uma tentativa de chamar a atenção da imprensa, com a esperança de que a notícia chegasse a seus parentes na Polônia.



A exibição em São Paulo durou 23 horas e 25 minutos. Começou às 20h do dia 24 e terminou às 19h25 do dia seguinte. Os jogadores estavam sentados numa formação em cruz, como mostrado em uma das fotos. Najdorf estava numa sala adjacente, sob permanente supervisão médica6. Eles anotaram a pressão arterial e batimento cardíaco de Najdorf logo antes do início da prova: 13 por 8, com 70 pulsos por minuto. Logo após o fim da simultânea, esses números eram de 12 por 8 e 80 pulsos.

O aspecto técnico da simultânea foi organizado por Américo Porto Alegre, a dinâmica figura que acumulava as presidências da FPX e do Clube de Xadrez São Paulo, junto com o GM Erich Eliskases e o MI Ludwig Engels, ambos vivendo no Brasil. No dia da simultânea, Paulo Roberto Duarte Fo - ex-campeão paulista e vice-campeão brasileiro em 1942, integrou a arbitragem, trabalhando junto a Najdorf. A Confederação Brasileira de Xadrez foi representada por seu secretário geral, José Carlos de Almeida Soares. As demais autoridades presentes incluíam Osmar Pimentel, Diretor do Departamento Estadual de Informações, Naim Cury, Professor de Eduacação Física e designado como fiscal da prova pelo Departamento de Esportes do Estado de São Paulo (visava as planilhas de todas as partidas conforme iam terminando) e o cônsul da Polônia.

A transmissão dos lances era feita por microfones. No começo levava 20 minutos para Najdorf voltar ao mesmo tabuleiro. Como era muito cansativo esperar o tempo todo, e também porque alguns dos participantes tinham compromissos no dia 25, houve revezamento de jogadores em quase todos os tabuleiros (em alguns deles houve até duas substituições).

Quanto à qualidade das partidas, elas falam por si (veja ou baixe-as - os nomes que aparecem nos comentários são dos substitutos). O nível, em média, foi bom, mesmo desconsiderando o fato de Najdorf jogar às cegas. Por coincidência (ou ainda como prova de sua personalidade de galanteador) três dos quatro empates foram contra mulheres. Uma delas, Otilia Frihe (tabuleiro 13), depois casou-se, adotando o sobrenome Grohmann, e foi campeã paulista. Conversamos (HCvR - na época em que os artigos originais foram escritos1), e ela ainda se lembrava da atmosfera agradável da simultânea. Os demais empates foram conseguidos por Felipe Bonaudo (aceitou empate com vantagem de peça por dois peões - tab. 16), Sonia Touzeau (tab. 18) e pela dupla Wladimir Wataghin (filho do físico russo-italiano Dr. Gleb Wataghin, professor do departamento de física da USP) e Helena Müller (tab. 15).

Interessante foi a partida que Najdorf perdeu para a dupla Norman Potter e René Zmekhol (tab. 41). Seria típico duma partida às cegas um erro com 22.Bg4, refutado pelo 'ataque duplo a longa distância' 22. ... Dg6?

Sua derrota para Haroldo Alvarenga (tab. 45) foi porque Najdorf não 'viu' com a profundidade necessária. Alvarenga já era um jogador forte naquela época.

Entre os jogadores que perderam para Najdorf, estava Maurício Berenzon (substituindo Luiz Ortolani no tabuleiro 4, na partida com o maior número de lances da exibição), que foi campeão paulista e participou de três finais do campeonato Brasileiro, chegando empatado em 1959 (pelo critério de desempate ficou na terceira colocação). Outra jogadora digna de nota é Ewalda Ribeiro (tab. 19, substituindo Benedito W Dan), que mais tarde casou-se com Lourenço João Cordioli. Ela foi vice-campeã no Torneio Zonal Sulamericano de 1957 e faleceu apenas um mês após a morte de Najdorf...

O evento foi também um sucesso de público. Cerca de 4000 pessoas passaram pela Galeria Prestes Maia durante essas entusiasmantes 24 horas. Mencionamos trecho da Ata de Reunião de Diretoria da FPX de 27/1/1947. Ela encontra-se integralmente reproduzida na edição de janeiro a março (#175-177) de 1947 da revista Xadrez Brasileiro. " Digno de registro é o interesse que a prova despertou, não só nos círculos enxadrísticos como nos meios sociais e intelectuais de São Paulo, tendo sido consignado no recinto privativo dos juízes, nos dias 24 e 25, a presença do Sr. Desembargador do Tribunal de Apelação de São Paulo, Dr. Delfino de Amorim Lima e dos Professores da Universidade de São Paulo, Drs. (Gleb) Wataghin e (André) Dreifuss (da Medicina), além de outras personalidades. "



Quando1 falei (HCvR) com José Octavio Pinto Costa, ele se lembrava da elegância do evento, realizado no mês mais quente do ano. "Todos usavam gravata e havia um clima solene. As salas eram muito belas". Mas, o mais impressionante, segundo ele, foi o fato dos jogadores, às vezes, montarem equivocadamente suas posições após 'pensar com as mãos'. Najdorf corrigia as posições com total segurança. José Octavio lembrava-se ainda da presença de grandes nomes do enxadrismo nacional, nomes como Márcio Elísio de Freitas7, Flávio de Carvalho Jr8, Lourenço João Cordioli9, Hélio Peixoto de Castro10, Paulo Gonçalves Guimarães11 e Paulo Roberto Duarte Fo. Todos esses auxiliaram a organização o tempo todo. Na fotografia, também pode ser visto Carlos Alberto Joel Nelli, diretor do jornal A Gazeta, o principal patrocinador do evento.

Um dos participantes da prova, Ideval Toledo (tab. 11, onde substituiu Est. Grossman), contou-me (HCvR), há muitos anos, que Najdorf, apesar das 24 horas em claro, estava muito excitado e não conseguia dormir. Durante a noite, Najdorf reproduziu todas as partidas, sem dificuldade. Mesmo sem esse 'pequeno bis' foi uma façanha impressionante e inesquecível. É a síntese dum grande gênio.



A preparação e Montagem do Local de Jogo

Voltando de Groningen, na Holanda, no final de 1946, Najdorf teve uma temporada carioca, de 16 de dezembro a 3 de janeiro do ano seguinte, onde, entre outras atividades, venceu com 8½ em 9 possíveis o Torneio de Mestres (cedendo apenas um empate para Eliskases, que terminou em segundo com 7½). Terminados seus compromissos no Rio de Janeiro, Najdorf seguiu (juntamente com Eliskases - à época residindo no Rio), a convite de Américo Porto Alegre, para São Paulo.

Em sua temporada paulistana, além da preparação (que relataremos a seguir) para a exibição de 25 de janeiro, Najdorf participou do II Torneio Internacional de São Paulo. Esta prova, realizada pelo sistema Schurig, com a participação de 9 jogadores, foi vencida por Eliskases, com 7½ em 8 possíveis, cedendo apenas um empate para o vice-campeão Najdorf. Este terminou a prova com 7, pois empatou também com Márcio Elísio de Freitas - o melhor brasileiro na prova (quarto colocado, com 4½). Ludwig Engels, com 5½ foi o terceiro. Luiz Tavares da Silva, com 3½; Paulo Roberto Duarte Fo e Antonio de Salles Oliveira (participou do Torneio Sulamericano de 1939, no Rio de Janeiro), ambos com 2½; e, Flávio de Carvalho Jr e Lourenço João Cordioli, ambos com 1½, completaram a classificação do certame.

Reproduzimos a seguir, com o português da época, mais um trecho da já citada Ata da FPX:

" ... Antes de ser apreciado o mérito da ordem do dia, propôs o Sr. Presidente, e foi aceito por unanimidade que se inserisse em ata um voto de louvor à 'A Gazeta' que, desinteressadamente e num espírito altamente eloquente de colaboração e incentivo ao enxadrismo paulista e brasileiro, patrocinou toda a prova, não poupando qualquer parcela de confôrto ao mestre Najdorf e aos Diretores desta Federação que cooperaram, tanto nos treinos como no dia da prova.

Em seguida foi dada a palavra ao Dr. Paulo R. Duarte Filho, Diretor-Técnico desta Federação, que fêz a seguinte exposição:

I - TREINAMENTO DE NAJDORF - A fim de que o mestre Najdorf se apresentasse em condições físicas que assegurassem o seu sucesso, na realização da prova, ficou a cargo da 'A Gazeta' a parte médica, tendo para tanto êsse brilhante órgão da imprensa paulista designado o Dr. Sérgio Blumer Bastos para chefe do corpo clínico que o assistiria, sendo designados por esta Federação mais os seguintes médicos: - Dr. Roberto Schreiber e Orfeu Gilberto D'Agostini.

Observadas as cautelas médicas para o mestre polonês, a Federação Paulista de Xadrez submeteu-o a rigorosa treino para que melhor fossem apreciadas as suas condições técnicas, treino êsse que constou do seguinte: dia 16 de janeiro - simultânea pública contra 10 enxadristas, na sede do Círculo Israelita de São Paulo, prova iniciada às 20 ½ horas e concluída à 1 hora do dia 17, tendo Najdorf se conduzido de forma segura e precisa e ganho oito partidas e empatado duas, fazendo assim, 90% de pontos possíveis, prova esta que foi conduzida tôda ela pelo Sr. Presidente da Federação Paulista de Xadrez; no dia 18, na ampla e confortável sede do Esporte Clube Banco Mercantil foi submetido a um segundo treino, com início às 9 horas e término às 18 horas do mesmo dia, contra 24 tabuleiros, conduzidos por enxadristas da segunda categoria desta Federação, treino este que contou com a colaboração dos mestres Eliskases e Engels e do relator da presente exposição, sendo que, por proposta de Najdorf, foram realizadas provas de aberturas de partidas até o décimo, o que foi feito por três vêzes consecutivas; no mesmo local e com os mesmos técnicos, realizou-se o terceiro treino com 33 tabuleiros, sendo que desta vez as partidas se prolongaram até mais tarde, tendo mesmo sido jogadas até ao fim quase dois terços das partidas e, no dia 21, ainda no mesmo local foi realizado o último treino contra 45 tabuleiros, tendo o início se verificado às 9 ½ e terminando às 17 horas.

A todos êstes treinos estiveram presentes o Sr. Presidente da Federação Paulista de Xadrez e um médico, os quais constataram a perfeita forma física e técnica de Najdorf.

Após êsse severo treinamento, foram concedidos os dias 22 e 23 para descanso de Najdorf. Elogiosa, sob todos os pontos de vista, é a operosidade do Dr. Américo Porto Alegre, que nada descurou, encontrando Najdorf e seu numeroso corpo de treinadores tôdas as providências a tempo e à hora.

II - INSTALAÇÃO DO LOCAL DA PROVA - A seguir, com a palavra o Sr. Presidente, relata as providências tomadas para a realização da prova, que seria, como foi na Galeria Prestes Maia, no centro da Capital de São Paulo, com início às 20 horas do dia 24 de janeiro, véspera da data da fundação da cidade de São Paulo. O local compõe-se de dois amplos salões de 22 metros de largura por 30 de comprimento, cada um, isolados por larga parede, e tendo por acesso entre ambos duas largas portas, salões êstes que distinguiremos por 'Salão A' e 'Salão B'.

No Salão A foram dispostas as 45 mesas de xadrez em formato de uma larga cruz, representando os lados externos dessa cruz as 45 mesas, tôdas numeradas de forma ampla e vísivel, de 1 a 45, e com jogos todos iguais, de tamanho oficial da F.P.X. No centro dessa grande cruz foram colocadas três mesas, uma para cada juiz da prova, e mais uma mesa pequena para a instalação dos aparelhos do microfone.

No Salão B, foram colocadas três confortáveis poltronas e uma pequena mesa redonda para o mestre Najdorf, tendo ao fundo do salão uma geladeira bem provida de alimentos para o mesmo, alimentos estes constantes de suco de laranja, suco de tomate, leite, peras, maçãs e etc., e noutra mesa, café, biscoutos e bolachas. Ao lado, uma maleta do médico Dr. Sérgio Blumer Bastos, contendo todo o necessário para os casos de urgência, tais como injeções, pastilhas, drágeas, etc.

Em ambos os salões foram colocadoas grossas cordas de isolamento, não somente para separar Najdorf do público como também para permitir que os juízes e enxadristas pudessem trabalhar à vontade na tarefa de cada um.

Nas paredes laterais do Salão A, a três metros de altura, foram instalados dois possantes alto-falantes, pelos quais era dado, aos juízes, jogadores e assistentes, ouvir bem nítidos os lances que Najdorf ditava do seu microfone.

No Salão B, foi instalado, numa pilastra a quatro metros de Najdorf, um alto-falante que, também em som alto, transmitia ao mestre as jogadas de cada um dos 45 tabuleiros. Tanto de um salão como de outro ouviam-se todas as transmissões feitas, bem alto e claramente, quer as de Najdorf para os juízes, como dêstes para aquele. ... "


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